sábado, 12 de dezembro de 2009

Lula, o filho do Brasil - o filme

A realização e o lançamento desse filme justamente em ano da eleição do sucessor de Lula tem gerado muita polêmica e acaloradas discussões sobre se é ou se não é uma peça de propaganda eleitoral. Não vou entrar nessa discussão porque acho difícil provar que sim ou que não.

O fato de que o filme mistifica o homem Lula também é um fato que não deveria entrar na discussão, pois isso é bastante comum no cinema, principalmente em Holywood. Poderíamos citar uma infinidade de casos similares.

Mas um aspecto que foi pouco ou nada explorado pela imprensa e que eu considero extremamente relevante nesta discussão é que a produção desse filme, da forma como foi feita, foi totalmente anti-ética e isso creio que é indiscutível. Vamos aos fatos:
  1. O filme foi patrocinado 18 por empresas, sendo que a maioria delas ou tem participação acionária do Governo Federal e de fundos de pensão estatais, caso da Neoenergia e da CPFL, ou que receberam volumosos financiamentos do BNDES, caso AmBev, EBX e Grendene, ou que tem contratos de fornecimento com o governo, como a Wolkswagen, ou então são empreiteiras com obras do PAC;
  2. Os casos que mais chamam a atenção são as empreiteiras que não tem nenhuma tradição em financiar filmes. São 4: Camargo Correa, GDF Suez, OAS e Odebrecht;
  3. Note que não houve financiamento através da lei Rouanet, ou seja, o financiamento foi feito na base da boa vontade e expectativa de retorno financeiro da boca da bilheteria, o que é extremamente incomum no mercado cinematográfico brasileiro;
  4. Nunca antes na história deste país foi feito um filme com produção tão cara: cerca de 12 milhões de reais;
  5. Também está tendo a mais cara campanha de divulgação da história.
A questão a ser perguntar é: se o presidente não fosse mais o Lula, mas tivéssemos um presidente de um partido de oposição ao PT, como PSDB ou DEM, por exemplo, teriam essas empresas financiado esse filme nas mesmas condições?

Se a resposta for sim, tudo bem, mas se for não, então foi anti-ético. Para mim a resposta é não.

Por isso, mais uma vez o que estamos vendo é a falta de ética reinante entre os políticos. Se Lula tivesse toda a ética que ele diz que tem, se teria feito essa pergunta e, se como eu, achasse que a resposta seria não, teria impedido que o filme fosse feito neste momento. Além do mais, se o patrocínio acontecesse como aconteceu após a saída dele do poder, tudo seria muito mais legítimo.

Mas Lula, como a maioria dos políticos, não é ético, é apenas oportunista.

E é apenas UM filho do Brasil e não O filho do Brasil, porque o Brasil tem muito mais (e melhores) filhos que ele.

Nenhum comentário: