segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Dia do Político


Desconheço, mas imagino que o exista o Dia do Político Brasileiro. No Brasil existe dia oficial de todas as profissões, desde os mais manjados, Dia do Professor e Dia do Advogado, até os menos conhecidos, como o Dia do Alfaiate e Dia do Barbeiro. Sendo assim, imagino que exista o Dia do Político, afinal de contas os políticos sempre pensam neles mesmos em primeiro lugar.


De qualquer forma, quero propor que o dia 31 de dezembro seja escolhido como Dia Mundial do Político.


Porquê? Porque nesse dia as pessoas fazem suas promessas de ano novo: emagrecer, passar a fazer uma atividade física regular, trabalhar menos, se divertir mais, voltar a procurar aqueles amigos antigos que não vemos mais, arrajar um namorado(a), se livrar do namorado(a) traste, só para ficar nas mais frequentes.


E o que acontece depois das festas? Você se mete de cabeça no trabalho e, de novo, não lhe sobra tempo para mais nada. E as promessas de ano novo? Vão ficando para depois. Depois do carnaval, depois da Páscoa, depois do inverno, até que se aproxima o fim do ano outra vez, então você decide deixar para o próximo ano quando, com certeza, você vai realmente cumprir as promessas de ano novo.


E você ainda reclama do político que promete que não vai largar a prefeitura para se candidatar a Governador, ou que promete que acabar com a fome no país vai ser uma obsessão do seu governo, ou que promete que vai construir mais escolas, ou que promete que vai acabar com a roubalheira, etc, etc.


Então é isso: no dia 31 de dezembro bancamos todos o político, prometemos, prometemos, mas nunca cumprimos.


Feliz 2008!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Proteção aos animais é bom, mas bom senso também


Hoje eu me deparei com a seguinte notícia:


Pesquisadora pede laudo psicológico de minhocas que trabalham em privada


O inventor neozelandês Coll Bell viu-se enrolado em uma polêmica depois de apresentar sua nova criação: o vaso sanitário equipado com uma colônia de minhocas.


O objetivo dos vermes (minhocas vermelhas da Califórnia) no sistema é decompor os dejetos humanos, deixando passar apenas a água - que é filtrada e encaminhada até trincheiras subterrâneas. A privada foi apresentada como uma alternativa às fossas sépticas.
Mas logo começou a chiadeira. E ela não partiu de usuários enojados com a presença das minhocas - gosmentas e com cheiro de alho.

Segundo o jornal Sunday Star Times, uma pesquisadora ficou preocupada com o possível "impacto mental" que esse trabalho sujo pudesse acarretar nos anelídeos e exigiu que Coll Bell apresentasse um relatório de especialistas mostrando que os bichos não estavam estressados ou traumatizados. Até o Conselho Regional de Auckland se manifestou.


"Ela achou que as minhocas estavam sendo mal-tratadas ao ter que lidar com fezes humanas, e que isso poderia afetá-las psicologicamente", afirmou Bell ao jornal.
"Eu disse: 'Bem, o que posso fazer sobre isso?', e ela respondeu: 'Você deve encontrar alguém com as qualificações necessárias que diga que as minhocas estão felizes'."


O inventor finalmente encontrou uma pessoa qualificada. Ele submeteu suas "colegas de trabalho" à análise da consultora de vermicultura Patricia Naidu. Para seu alívio, Patricia concluiu que as minhocas da privada estão em excelente estado de saúde. E muito felizes.


Dá para acreditar?

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O Brasil amadureceu - é o que estão dizendo


Sou um pessimista. Pelo menos ao que se trata de políticos brasileiros, sou mesmo.


Com essa história do fim da CPMF tenho lido na imprensa que finalmente o Brasil amadureceu, a oposição por ter ouvido o clamor da população que exigia o fim do imposto e o governo por ter aceito serenamente a derrota e agora, sob a batuta de Lula, vai refazer o orçamento de 2008 priorizando cortes ao invés de buscar compensação da receita com aumento de outros tributos.
Bom, na minha opinião a oposição votou contra a CPMF porque percebeu que quanto mais dinheiro esse governo tiver, melhor para ele e pior para a oposição.


Já o governo, percebeu que se contra-atacasse imediatamente com aumento de impostos estaria dando de bandeja assunto para a oposição tripudiá-lo por ser perdulário, não aceitar uma derrota e não saber se ajustar a um aperto no orçamento como faz qualquer dona-de-casa.


O Lula é um cara esperto, conhece o Brasil. Ele segura o Mantega agora, refaz o orçamento com alguns cortes e passa uma imagem de estadista. Ele sabe melhor do que ninguém que o Brasil esquece fácil. Logo, logo, os assuntos do dia serão outros, 2008 é ano eleitoral, e aí, com mais calma, aumentam-se os impostos e pronto, tudo resolvido.


Alguém duvida? Quanto esse governo já aumentou a carga tributária? E sem nenhum estardalhaço, sem qualquer reação da oposição, sem qualquer reação da sociedade. É fácil, é só continuar fazendo mais do mesmo, pode crer.


Sou um pessimista. Em 2008 vamos pagar mais impostos.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Feedback não pode


Só agora me dei conta da notícia veiculada ontem de que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou por unanimidade o projeto de lei do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) que proíbe estrangeirismos no país.


É claro que ainda falta a aprovação em votação no plenário e depois seguir para o Senado, mas estamos a um passo de soltar as amarras que têm segurado o Brasil de caminhar a passos largos rumo ao desenvolvimento.


Relembrando, tudo começou na alvorada do século XVI quando os brasileiros receberam forte influência de uma língua estrangeira trazida por uns sujeitos esquisitos de pele esbranquiçada, roupas e comportamentos estranhos, que saíam de barcos enormes. Em pouco tempo essa atração inata dos brasileiros pelo estrangeirismo resultou que nosso vocabulário original estivesse tão impregnado de palavras estrangeiras que se resolveu adotar a língua portuguesa como oficial.


Depois veio a época em que era chique usar palavras francesas para mostrar sofisticação e assim foi incorporada mais uma leva enorme de palavras estrangeiras nesta nossa língua tropical, que já se distanciava do português original. A influência francesa passou mas as palavras ficaram: chique, madame, garagem, garçom, antiquário, boate, toilete, bijuteria, restaurante, entre muitas outras.


Enfim chegamos a épocas mais recentes onde recebemos forte influência da língua inglesa, essa língua que, teimosa, insiste em ser usada internacionalmente para comércio, negócios e turismo. Mas antes que palavras dessa língua infame se instalem definitivamente em nosso majestoso, porém já desvirginado, português, nosso atento e perspicaz deputado Aldo Rebelo deu-se conta que esse desatre natural poderia ser evitado e decidiu, muito sabiamente, propor uma lei que evite tal ignóbil assalto.


Tenho certeza que, aprovada, sancionada e publicada, a Lei Aldo Rebelo (acho justo que tão importante lei carregue o nome de seu criador) vai dar um impulso de crescimento ao país, empurrando a taxa de crescimento do PIB, que deve ficar em torno de 4,7% em 2007, para pelo menos 8% em 2008, quem sabe até mais. Talvez passemos a Argentina e o Chile, ou até cheguemos perto da China.


Imagine quantos novos empregos serão gerados para alterar todos os rótulos de embalagens, cartazes, anúncios, folhetos, livros, revistas e jornais que contenham estrangeirismos. E o número de novos advogados que serão contratados para alterar nomes de empresas que contenham estrangeirismos? Mil vivas aos tradutores, estes trabalhadores tão mal remunerados.


A esta altura os pessimistas já devem estar pensando que nosso vocabulário vai virar uma bagunça mas não é bem assim, na elaboração da lei foi tomado o cuidado de manter as palavras já incorparadas ao vocabulário nacional. Madame vai continuar sendo madame e não vai ser rebaixada de uma hora para outra para uma simples dona-de-casa.


Agora muita coisa vai ficar clara para os brasileiros. As empresas estrangeiras, essas multinacionais torpes, vão ter que dizer a que vieram. A Telefonica vai ter que se dobrar ao poder da língua portuguesa e passar a usar o acento circunflexo, passando a chamar-se Telefônica. Agora sim, dá para saber do que se trata. General Motors vai ser Motores Gerais, Volksvagen vai ser Carro do Povo. Ah, e vai ter que trocar o nome dos carros também. Fiesta vai ser Festa, Idea Adventure vai ser Idéia Aventura, Honda Civic vai ser Honda Cívico, Focus Hacth passa a ser Foco Alçapão. E você vai ter que trocar a plaquinha colada na traseira do seu carro, ou vai querer andar por aí carregando um estrangeirismo ilegal bem à vista?


Uma dúvida: tupi-guaraní é estrangeirismo? Itaú não está no Aurélio, então deve ser estrangeirismo. O terceiro maior banco do país tem que mudar o nome para Pedra Preta. Agora fiquei confuso, será que tupi-guaraní é realmente estrangeirismo? Ou será que o português é que é? Acho que vou mandar um e-mail, digo um correio eletrônico, ao mestre Rebelo para saber o que diz a lei.
Ih, vai ficar mais difícil usar o computador. Já não posso usar o mouse, tenho que usar o rato. Além de tudo meu rato é cinza, que asco! Quem sabe encontro nas lojas de informática um camundongo. Se for um camundongo branco, talvez dê para se acostumar.


Alguém aí sabe a tradução de blog? Me dê um feedback, quero dizer, retro-alimentação.